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Mali: LE COREN lança um SOS à Comunidade Internacional

Bamako – A PNN entrevistou a direção do LE COREN (LC), sobre a actual situação no país, que nos dá conta das posições desta associação apolítica da Sociedade Civil, que agrupa cidadãos das regiões do Norte do Mali (GAO, TOMBUKTU, KIDAL e MOPTI).

PNN - No actual contexto, o que pensa o LE COREN do Acordo para a transição de Governo?

LC - A nossa expectativa é o regresso progressivo e negociado a uma via constitucional normal. Entretanto, a transição deverá procurar prioritariamente a reconquista das zonas sob ocupação dos terroristas e avançar urgentemente para o resgate de um cordão humanitário no norte do Mali.

Devido à parte ocupada do território, deve ser declarado o Estado de Sítio até à reconquista total da integridade territorial do Mali. Toda a preparação das Eleições deve ser suspensa, tendo em conta esta situação excecional que se vive no país.

PNN - Qual é a vossa opinião sobre a situação política em Bamako?

LC - A confusão política tem tendência a esbater-se pouco a pouco em Bamako e é espectável que venha a manter-se este quadro. A classe política no Mali é unânime na decisão de combater o inimigo terrorista. Esta é igualmente a posição da Sociedade Civil.

PNN - É possível que os grupos no Norte venham a constituir verdadeiramente a Independência da região? O que pensa o LE COREN sobre esta possibilidade?

LC - A Independência proclamada de um pretenso território de AZAWAD é uma ilusão, uma farsa, uma diversão, uma utopia, porque aqueles que a reclamam são uma minoria ilegítima composta por um grupo étnico bastante minoritário.

Na verdade, o seu único objectivo é o de forjar um território sobre o nosso solo, pelos terroristas monitorizados no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, na Argélia, na Mauritânia, entre outros.

O MNLA não passa de um bando de jovens activistas que servem os agentes de propaganda, disfarçados de terrorismo de uma novo islão inventado e instrumentalizado pelo narcotráfico.

As tentativas de distinguir o MNLA dos terroristas e islamistas não passa de uma manobra de diversão para acalmar uma opinião europeia que há muito tempo fantasia sobre os «homens azuis» quando se fala dos tuaregues.

Com efeito, é supérfluo e desonesto crer na credibilidade de indivíduos que se pretendem liberais mas que se envolvem em violações, em assassinatos pela decapitação, na pilhagem e na destruição total dos bens das pessoas que eles dizem livres.

Estes actos, que fazem parte do quotidiano, só são cometidos contra as populações sedentárias de GAO, TOMBUKTU e MOPTI. O que quer dizer que há um caráter racista destes bandidos.

LE COREN considera que a única solução válida consiste em combater os terroristas até ao seu derradeiro entrincheiramento. Para isso, é necessária uma convergência de esforços e meios de toda a comunidade humana civilizada.

PNN - Qual é a verdadeira situação em Tombuktu, Kidal e Gao? Na vossa óptica há uma solução política para o norte do Mali, neste momento? Em vosso entender, que outras soluções poderão ser encontradas para resolver o problema do Norte?

LC - A situação é caótica em Gao e Tombuktu, onde faltam água, alimentos e eletricidade.

Os hospitais e outras estruturas de saúde transformaram-se em guarnição militar para os terroristas, depois de as terem totalmente vandalizado.

As mulheres acabam por morrer durante o parto, devido à falta de assistência médica, e mesmo as jovens são violadas, muitas vezes em público.

Algumas são tiradas de suas casas e levadas para destinos desconhecidos. Kidal encontra-se deserta de seus habitantes.

Os homens amontoam-se nos camiões de mercadorias e fogem de Gao e Tombuktu, deixando para trás as mulheres e os filhos, para escaparem à lâmina sangrenta das espadas terroristas e das suas balas assassinas. Os cristãos foram saqueados ou abatidos em Gao.

PNN - Como podem ser descritos os principais grupos do Norte do Mali?

LC - Há três grandes grupos na África Ocidental: O Império do Gana, o Império do Mali e o Império Songhoi.

Estes três impérios têm reinado sucessivamente sobre toda a totalidade do actual território do Mali. Os descendentes de mestres e príncipes do Império Songhoi constituem a etnia songhoi ou sonhrais, que partilha actualmente os territórios das regiões de Tombuktu e Gao com os tuaregues, os peuls e os árabes.

Os primeiros ocupantes autóctones da atual região de Kidal são sonhrais, um povo de raça negra. Durante a queda do Império Songhoi, a parte norte do Mali esteve sob a autoridade de Marrocos, cujos conquistadores se misturaram com os songhoi, dos quais nasceram os negros, daí o nome da família Touré, surgindo a etnia tuaregue designada em songhoi sourgou e em tamacheq imouchar, que vivem actualmente no território em redor de Menaka, na região de Gao e em redor de Diré e Goundam, na região de Tombuktu.

Esta tribo tuaregue não se deve confundir com as outras tribos que os songhoi chamam daga.

Os tauregues do norte do Mali não representam mais do que 5% da população. A maioria é composta de sonhrais (65%-75%). Peulh e árabes constituem cerca de 25%.

São inúmeras as sub-tribos de tuaregues e convém explicitar que de todas estas tribos e etnias que ocupam as regiões norte do Mali, que os activistas propagandistas do terrorismo proclamaram a independência de um território absurdamente chamado Azawad, constituem uma ínfima minoria de grupúsculos ifoghas, idnane, dohassak e chamanamas, que não se preocupam com as questões de paz e de desenvolvimento, nem em integrarem-se com os seus irmãos songhoi, peulh, arabes, tuaregues sourgou ou daga.

O LE COREN lança um SOS à Comunidade Internacional, para acabar com o terrorismo. Se este apelo for entendido e atendido nós ficaremos muito felizes e os povos indígenas do norte do Mali, legítimos descendentes de imperadores, reis e guerreiros poderão libertar-se das sombras enganadoras de calculismos terroristas e fétidos mercantilismos, muitas vezes de Estado.

(c) PNN Portuguese News Network

2012-04-12 17:10:38

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