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Em entrevista à PNN

Moçambique: Secretário-geral da Frelimo diz que partido vai investir cerca de 8 milhões de dólares no 10º congresso

Maputo – Em entrevista exclusiva à PNN, o Secretário-geral da Frelimo, Filipe Paúnde, referiu que o partido vai investir cerca de oito milhões de dólares norte-americanos para a realização do 10º congresso. Parte do valor servirá para a construção de infra-estruturas de raiz, que serão utilizadas pelo partido depois da realização do evento.

Com os olhos no 10º congresso, a realizar-se de 23 a 28 de Setembro, na província de Cabo Delgado, o partido Frelimo pretende criar uma grande plataforma logística para garantir o alojamento e alimentação dos delegados e convidados do evento.

O partido Frelimo que ainda está a desenvolver trabalhos de angariação de
recursos financeiros para fazer face às despesas do 10º congresso, planeia
investir, cerca de oito milhões de dólares, revelou Filipe Paúnde, Secretário-geral da Frelimo, em entrevista exclusiva à PNN, esta terça-feira.

«Mas devo dizer que o partido já está relaxado em relação a este valor. E é resultado das contribuições dos membros e quadros do partido e naturalmente, esperamos receber mais apoios dos partidos amigos que vão participar no evento», referiu Filipe Paúnde.

Este valor está a ser disponibilizado pelos membros e simpatizantes do partido, que segundo Paúnde, foram mais de três milhões que se comprometeram a investir na melhoria logística para o momento histórico do partido político. As contribuições tiveram início em Agosto de 2011 e contam com o envolvimento das células do partido, fixadas na África do Sul, Tanzânia, Portugal, Espanha, Alemanha e outros países.

O evento vai acolher 5000 participantes, dos quais 3000 são delegados do partido e 2000 convidados. Para além dos nacionais, estão igualmente convidados para o congresso, segundo Filipe Paúnde, partidos dos países irmãos e amigos, nomeadamente o Comunista da China, ZANU-PF do Zimbabwe, MPLA de Angola, ANC da África do Sul, partido democrático do Botsuana, partido comunista do Vietname, partido comunista do Cuba e partido SWAPO.

Filipe Paúnde, definiu o 10º Congresso como um momento histórico de exercício democrático do seu partido, momento de exaltação cultural e de manifestação de identidade política e ideológica. «O X Congresso do partido Frelimo vai tomar decisões que se repercutem na vida do partido e da sociedade moçambicana», disse.

O Secretário-geral da Frelimo, disse ainda que é nos congressos onde o seu partido traça as opções político-ideológicas e decide sobre as questões de fundo, aprecia e delibera sobre assuntos relevantes da vida do partido. «Este ano é muito especial para o nosso partido, como deve imaginar, a realização do 10º congresso coincide com as datas e mês do 1º congresso, realizado no ano de 1962, em Tanzânia, e como sabe os congressos da Frelimo acontecem de cinco em cinco anos, e nós completamos 50 anos de fundação do partido. Várias são as actividades que estamos a realizar para celebrar as conquistas, desde a implementação das grandes decisões do 1º a 9º congresso, e o impacto dessas decisões para a vida do partido e do País em geral».

A Frelimo completa no próximo 25 de Junho corrente 50 anos da sua fundação. Para Filipe Paúnde, os 50 anos que a Frelimo celebra, foram de sacrifício e de muitas conquistas. O entrevistado referiu-se à guerra de libertação nacional que durou 10 anos, momento inesquecível para o povo moçambicano. O Secretário-geral acrescentou que o partido tem no povo a sua principal fonte de inspiração, valorizando as experiências da luta de libertação nacional acumulada desde a proclamação da independência, bem como os valores e as boas práticas sociais.

Fazendo uma antevisão das competências do 10º congresso, o Filipe Paúnde, disse que o seu partido tem como agenda fazer o balanço das principais decisões do 9º congresso, eleger o candidato às eleições presidenciais de 2014, definir a linha política do partido, aprovar os estatutos e suas revisões, eleger o Presidente da Frelimo, definir a composição do Comité Central e eleger os seus membros efectivos e suplentes nos termos de directiva eleitoral específica e aprovar o relatório do Comité Central.

Neste evento, poderão ainda ser aprovados ou alterados os símbolos do partido.

Formação de quadros

Filipe Paúnde, disse que a Frelimo está a formar membros do seu partido na Escola Central da Frelimo (ECF), localizada na cidade da Matola. Aquele estabelecimento de ensino, segundo Paúnde, lecciona diversos cursos, nomeadamente, política académica e ideológica para além de técnico profissional.

«A escola existe desde a década de 1970, e importa referir que intensificamos acções de formação de quadros do partido em 2008, graças à experiência que colhemos na China, no âmbito da cooperação bilateral com o partido Comunista. Neste momento estão a frequentar diversos cursos na nossa escola 140 estudantes provenientes de vários pontos do país», referiu.

A ECF lecciona o nível Medio e os estudantes são depois encaminhados para as Universidades Eduardo Mondlane, Pedagógica e outras. «Já formámos cerca de 300 estudantes. Queremos expandir o projecto para as províncias».

Vai se recandidatar ao cargo para o próximo mandato?

«Desde que estou na Frelimo, nunca me pensei candidatar a este cargo, nunca! Mas eu considero que este mandato que terminámos, embora com as dificuldades que enfrentámos, o sucesso que obtivemos, o mérito não é do Secretário-geral, mas sim, de todos os militantes. Os nossos membros fizeram das decisões tomadas, uma decisão cumprida. E eu considero que a nossa missão foi devidamente cumprida porque naturalmente fizemos tudo o que era necessário e estamos satisfeitos com o desempenho que o partido conheceu no intervalo entre o 9º e o 10º congresso. Como deve saber que o objectivo principal de qualquer partido do mundo é de conquistar o poder, governar e manter-se no poder, e nós conseguimos esta grande missão, para além do crescimento que o partido está a conhecer em termos de qualidade e quantidade dos militantes que vêm de diferentes seguimentos da nossa sociedade».

«E mais, o Secretário-geral é eleito pelo Comité Central, este órgão é que vai em tempo oportuno decidir a próxima figura do Secretário-geral. Mas não há desse lado a intenção de me recandidatar, nem de influenciar os camaradas, porque não tem sido a postura do nosso partido, de um membro se voluntariar para cargos de chefia. É o partido, são os militantes que indicam os potências candidatos», esclareceu Paúnde.

E a presidência do partido, alguma intenção em se candidatar?

«Eu sou uma pessoa muito feliz, fui secretário da célula do partido a nível distrital, órgão mais pequeno do nosso partido e é de lá onde comecei. Portanto, a Frelimo deu-me uma oportunidade muito rara. E acho que se exigir mais coisas seria uma grande ingratidão, e eu, só devo dizer que a Frelimo permitiu-me ver e lidar com coisas complexas, e foi para mim, uma grande experiência na vida política».

Relações de cooperação com o partido Comunista da China

«As nossas relações com a China são históricas e de longa data. A China apoiou sempre o nosso país desde a luta de libertação nacional até hoje. Fez deslocar os seus instrutores militares para treinar guerrilheiros moçambicanos na Tanzânia e foi o primeiro país a receber o falecido Presidente Samora Machel com honras de chefe de Estado, em 1970. São apenas alguns exemplos que marcaram as boas relações entre os dois partidos».

Filipe Paúnde, disse que actualmente os partidos Comunista da China e a Frelimo, trocam experiências nas áreas de formação, estratégica, entre outras. O partido Frelimo herdou do Comunista, a formação de quadros a todos os níveis desde o 1º secretário distrital, provincial até ao ministro. «Esta é uma grande experiencia que a China nos deu, porque tem uma grande academia e escolas do partido comunista em todo o país».

«Transmitimos experiências como, o contacto com as bases, a presidência aberta e inclusiva. Neste ponto, importa acrescentar que os altos dirigentes do partido deslocam-se às células ou a bases para o contacto directo com os militantes».

Neste capítulo, Paúnde disse ainda que a Frelimo aprendeu do Comunista, a necessidade de divulgar a história do partido através da publicação de livros.

Impor um regime totalitário em Moçambique

A Frelimo é acusada pelos partidos políticos da oposição de impor um regime totalitário em Moçambique, onde o país vive problemas graves, muitos deles resultam de políticas erradas, baseadas na exclusão social, económica e política e toma decisões ignorando as contribuições do povo.

Qual é a reação da Frelimo?

«Admiro bastante o partido Frelimo, por ser um dos pouco, se não o único que faz tudo do povo para o povo. Temos o exemplo das presidências abertas inclusivas, para além de que os membros da Comissão Política estão sempre nas províncias a dialogar com a população. Não há nada que este governo faz, que não seja da iniciativa do povo. A ponte Armando Guebuza, que liga as zonas centro e norte do país foi um pedido dos moçambicanos e outros exemplos. Portanto, é preciso que a oposição especifique as suas questões e que as faça baseando-se em factos concretos. Infelizmente não vejo esses partidos a reunir-se com as populações, e não sei em que momento em que os mesmos recebem essas reclamações», reagiu

Filipe Paúnde, acrescentou que «esse é um argumento falso e infundado, objecto de uma oposição que está preocupada em desvalorizar o esforço do governo, ao invés de trabalhar para o bem do povo, aliás, tudo o que fazemos em prol do cidadão, a oposição limita-se em dizer que não presta».

(c) PNN Portuguese News Network

2012-06-20 17:28:49

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