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Professor Universitário na Mauritânia

Mali:Entrevista exclusiva com Arnaud Stéphan

PNN – A situação do norte do Mali está cada vez mais complexa não sendo conhecidos quaisquer planos das instituições centrais face ao que se passa no norte do país. As cidades de Gao, Tombuktou e Kidal continuam nas mãos dos radicais islâmicos que parecem cometer atrocidades todos os dias. Como vê tudo o que se tem vindo a passar no seu país?

AS – A situação no país está cada vez mais complexa e todos os dias as noticias do norte do país são contraditórias. O que hoje é verdade, amanhã é mentira. Porém as forças em presença na região norte do país reflectem uma supremacia incontestável dos fundamentalistas islâmicos. Uma coisa é incontornável as populações no norte têm sido submetidas ao que aparenta ser uma nova ordem medieval. Abusos, violência e mortes têm sido relatados. O medo é geral. Muitas pessoas fugiram das suas regiões de origem. O sentimento de impunidade e omnipotência de que gozam os movimentos como o Ansar Dine reflectem-se todos os dias na utilização de instrumentos de tortura e práticas medievais nas praças públicas. Desde o golpe de Estado de 22 de Março os acontecimentos têm-se vindo a suceder de forma rápida e demonstram que não existe qualquer poder negocial por parte das autoridades francesas como demonstram o falhanço nas negociações para libertação de reféns mantidos pela Al-Qaeda no Magrebe Islâmico.

PNN – Do seu ponto de vista é possível uma evolução política tendente à saída da actual crise no país?

AS – A aceitação por parte das autoridades malianas de uma partição na integridade nacional não é, obviamente, aceitável. O Mali é um país uno e indivisível e não será um punhado de tuaregues a fracturar o país. É verdade que as tensões são antigas, mas tal não justifica a situação actual. A singularidade deste país não pode ser sacrificada às mãos de um megalomaníaco iluminado. Pode ser que este caos sirva para que o Mali se veja livre de políticos do passado e de que daí possa resultar um país renovado e limpo. Muitos dos malianos encontram-se na diáspora mas, apesar da distância, preocupam-se com o país. O sentimento de pertença nacional é muito forte, como aliás, se passa em muitos países africanos. Movimentos de jovens como o Rassemblement des Jeunes du Mali (RJM) poderão funcionar como um enorme impulso para a renovação das classes políticas e devolver renovadas instituições públicas ao povo.

Mas esta crise é mais grave do que aparenta. Esta é uma crise sub-regional, compromete vários países e a gravidade da situação e riscos envolvidos começam a ser percebidos agora. Não se deve negociar com os fundamentalistas. Estas negociações não podem comprometer a respeitabilidade do povo. O Exército do Mali necessita de recuperar a sua dignidade e apoio para realizar uma reconquista territorial que, espero, venha a ser rapidamente posta em pratica. Com relação às instituições do Estado ninguém pode prever como será a formação do governo de transição. Talvez nos próximos 12 meses já possa existir um Governo e nessa altura retiradas as lições desta experiencia traumática.


PNN – Na sua opinião é possível a entrada de uma Força de Intervenção da CEDEAO no Mali?

AS – Na minha opinião tal deverá ser possível. Deverá ser o Governo de Transição a submeter um pedido formal de intervenção para resolução da situação securitária. É particularmente importante que tal venha a ocorrer no mais curto de tempo possível dado que a degradação da situação humanitária no norte do país é preocupante. A maioria dos malianos não gostaria de ver uma Força estrangeira em território nacional mas, parece claro que, o Exército do Mali isoladamente não terá capacidade para lidar com os fundamentalistas islâmicos que se encontram muito melhor equipados e capacitados ao nível do treino de combate que adquiriram na Líbia e noutros cenários de guerra.

PNN – Existem outras questões que lhe pareçam relevantes para entendermos o que se passa no Mali?

AS - A situação no Mali preocupa-me apesar de não viver no país. É a minha segunda casa, à qual me sinto profundamente ligado. Eu moro e trabalho, actualmente, na Mauritânia mas não deixo de sentir o que se passa no Mali. Tudo o que se tem vindo a passar no Mali aos olhos da Comunidade Internacional terá que merecer uma reprovação absoluta. Não podemos passar ao lado de uma crise humanitária desta gravidade. Existem muitas situações de injustiça no mundo mas não podemos transigir com actos desta natureza apesar da pobreza do país.

(c) PNN Portuguese News Network

2012-06-28 11:24:22

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