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História
São Tomé e Príncipe celebra os 57 anos do massacre de Batepá
2010-02-05 15:53:11
São Tomé - O Presidente da República, Fradique de Menezes, presidiu na roça Fernão Dias, à cerimónia que marcou mais uma passagem sobre o massacre de Batepá, em 1953.
A cerimónia de 3 de Fevereiro, teve início com a deposição de uma coroa de flores no memorial em recordação das vítimas, nativos de São Tomé, que não quiseram aceitar o contrato com os patrões das roças. Os nativos chicotearam o filho do Conde Valle Flor, que humilhado, ofereceu uma pinha de banana pão em ouro e uma avultada quantia em dinheiro, para quem conseguisse contratar o povo de São Tomé e Príncipe.

O antigo governador colonial, Carlos Gorgulho, viu-se encandeado com a oferta de Valle Flor. Tentou utilizar a diplomacia para iludir a elite da altura, mas acabou de mãos vazias porque, na altura, só a palavra contrato era um horror para os santomenses.

O Governador Gorgulho, embora vislumbrado com a referida fortuna do patrão, chefe da maior roça da ilha, optou pela violência para conseguir o seu objectivo. Organizou polícia e militares, recorreu a milícias de brancos que eram funcionários, fazendeiros e outros portugueses com reforço dos angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos que foram contratados para trabalhar nas roças de São Tomé e Príncipe.

Deu-se o início da guerra no dia 2 de Fevereiro de 1953, na actual cidade da Trindade. A primeira vítima foi o senhor Pontes de Piedade, que alertou a população, originando a fuga desordenada da população. Agostinho (na foto) é sobrevivente do massacre de 53, e o responsável pelo primeiro golpe de catana e pela morte do alferes Amaral.

No dia 3 de Fevereiro, as tropas haviam perdido o controlo do massacre. O português alferes Amaral, não gostou da precipitação dos seus colegas ao perderem o controlo e deixou a cidade alegando que ia acabar com os nativos na Trindade. Deixou a sua residência em Água Arroz e quando chegou ao Cruzeiro, um bairro antes da Trindade, viu o falecido escultor Angelino. Alferes Amaral mandou prendê-lo, mas Angelino fugiu e refugiou-se numa gruta de Uba Budo.

Quando o alferes chegou deparou-se com uma forte resistência dos nativos, agrupados no local. A guerra de 1953, acabou com a condenação única dos três actores, Senhor Agostinho, José Cangolo e José Mulato, a 18 anos e seis meses de cadeia.

A PNN descobriu o senhor Agostinho na roça Pinheira, a sete quilómetros da capital. Este foi um carpinteiro que, depois de sair da prisão continuou a trabalhar na roça Pinheira, onde se encontra aposentado, com a sua companheira e muitos filhos, numa senzala da roça. Este sobrevivente do massacre está na miséria e, do pouco trigo artesanal de madeira que produz, não vende nada.

«O José Mulato e José Cangolo, ambos já faleceram, um em São Tomé o outro em Portugal. Agora estou cá eu sozinho, que muito sofri, fui preso e depois condenado e o Estado não fez ainda nada por mim que forcei a resistência colonial no país. Às vezes fico muito triste perante a família faminta e não podemos dar resposta com tantos anos de sofrimento e de trabalho. Não quero muita coisa, só preciso o mínimo do Estado para sobreviver e desafiar esta vida difícil», afirmou o sobrevivente da guerra de 1953.

IM
(c) PNN Portuguese News Network
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